Aviso: Este é provavelmente o post mais estúpido que vou escrever até hoje...
Comecemos pelo cerne da questão, a dúvida que me assola, que nome vocês dão à sujidade nasal que de ranhoca verde, podendo esta sofrer uma ligeira variação na cor, passa a uma 'coisa dura' que se agarra às paredes internas das nossas narinas ou ainda pior aos pelinhos nasais!
Eu toda a minha vida lhes chamei de cacanhas, era um nome normalíssimo para mim porque foi esta a designação que ensinaram. Até aqui nada de estranho, o meu mundinho abanou quando em conversa com o amigo Kai chegámos a conclusão que ao que eu chamava de cancanhas, ele chamava de catotas...para além das gargalhas que a conversa gerou (quem é que no perfeito juízo fala de cacanhas-catotas, só nós!) fiquei tipo como é que é possível eu nunca na vida ter ouvido falar em catotas! Mas tudo bem, dado que nascemos e crescemos em regiões do país diferentes é normal que as expressões variem, o mesmo povo às vezes dá nomes incrivelmente diferentes à mesma coisa!
Até ao dia em que o mundo do muco verde que abunda no meu nariz, dado à minha situação de semi-constipação, parou em suspense! A palavra cacanha não existe no dicionário, já catota aparece definida como "mucosidade nasal ressequida", fazendo uma busca no google só aparece a palavra catota porque os brasileiros também dizem catota!
Isto é destruir memórias, p.e. lembro-me do meu colega L. na primária encantado da vida a tirar cacanhas durante as aulas, ele não estava ali estava no mundinho dele; o meu primo mais pequenito diz com alegria a quem quer que seja "olha um macacão" e exibe-o com orgulho no dedo indicador e daqui a um tempo provavelmente vai aprender a dizer que aquilo é uma cacanha, como é que uma coisa tão repugnante mas natural pode trazer tantas memórias! Descobrir o seu 'falso nome' abalou-me, mas para mim serão sempre cacanhas.
Recapitulando, aqui em casa o núcleo familiar é constituído por 4 'caracóis' sendo que dois deles, o pai caracol do mar e o namorado caracol mais que tudo, têm uma tendência inata para conversas da treta, que não levam a lado nenhum, por vezes puras parvoíces que ninguém entende (só eles!). Resumindo os gajos cá de casa normalmente fazem a festa, deitam os foguetes e apanham as canas sozinhos todos os santos dias!
Cenário: Junto aos carros no jardim
Hora: Demanhãzinha (antes de saírem para o trabalho)
O caracol mais que tudo vai para o carro e começa abrir as portas da frente e a deslocar-se de um lado para o outro (estranho!).
Caracol do mar: o que é que se passa?
CmqT: Tenho uma aranha no carro!
CM: Então e agora? Que queres fazer?
CmqT: Se calhar não vou trabalhar!
CM:
Boa!
Entretanto as fêmeas da família caracol (eu e mãe caracoleta) começamos a ouvir a algazarra e espreitamos a cena da janela!
Gritamos em conjunto: o que é que se passa?
CM: Diz que tem uma aranha no carro e não pode ir trabalhar LOL
Nós: Rimo-nos (decidimos observar a cena à distância)
CmqT: Ah pois não!!! Que ela é bem grande...
CM: Corta um ramo com flor aí do jardim e aproxima-o da aranha devagarinho pode ser que ela suba!
O caracol mais que tudo executa a operação com extremo cuidado e sai de ramo em punho já com a dita 'Sr.aranha' a caminhar no ramo.
CmqT: Já está! Isto só a mim...dizem que aranhas é sinal de dinheiro, que não se devem matar! Mas a mim só me aparecem as aranhas, dinheiro nem vê-lo ![]()
CM:
Não a mates, coloca-a no jardim! Primeiro vêem as aranhas, o dinheiro vem mais tarde...tudo tem a sua época, não a mates que depois aparece o dinheiro.
Entretanto o caracol mais que tudo começa a subir as escadas para me vir mostrar a aranha (ó valha-me a santa paciência!).
P.S.- Só nós gajas para aturarmos gajos tão malucos, às vezes não há paciência para aturá-los ao fim do dia! A dita aranha era mesmo feia coitadinha, nem era muito grande, mas era gorda e de cor castanho amarelada, tinha má pinta!
Caracolinho é alcunha claro está! Digo-vos que me assenta que nem uma luva...Gosto da minha concha, de me sentir protegida, quanto ao resto... tenho um mundo inteiro para descobrir e desbravar, talvez me encontre verdadeiramente num recanto qualquer. A vida é feita de encontros e desencontros e agora começo a percebê-lo!